sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A herança corporativa de Steve Jobs

A saída de Steve Jobs do comando da Apple tem sido um dos assuntos mais comentados - não por acaso por se tratar da maior empresa de capital aberto do mundo ou mesmo pela genialidade das inovações de sua empresa, mas também pelo legado corporativo que o antigo CEO deixou, não só para os applemaníacos mas também pelas suas ações bem sucedidos à frente da Macã famosa.

Ter fundado uma empresa, sair por divergências com o time, voltar a ela pouco mais de uma década depois para colocá-la no topo (com valor de mercado 9.000% maior do que no início da segunda passagem - US$348 bi em 2011 vs. US$2 bi em 1997) já é um grande enredo de filme e livro - já devidamente explorados! Mais do que isso, o estilo de gestão de Jobs, que se confunde com a própria Apple demonstra várias características, das quais podemos destacar:
  • Inovação como mola propulsora de negócios: a melhor forma de manter a liderança em qualquer mercado. Ninguém acredita que o próprio Jobs fosse inovador o tempo todo e tenha criado esse império sozinho, mas certamente ele se cercou de pessoas assim, as reteve e buscou na concorrência e nas faculdades quando necessário. É inegável a revolução provocada no jeito de se ouvir músicas com o iTunes e o iPod e a reviravolta no mercado de telefones "espertos" com o iPhone.
  • Esquecer dos concorrentes e focar nos desejos e necessidades dos clientes: Em uma abordagem semelhante à da Estratégia do Oceano Azul, a Apple criou segmentos, mercados e comportamentos, o que ficou evidenciado nas longas filas em lançamentos da dupla iPhone/ iPad. No caso do iPad, foi criado um novo mercado e uma nova necessidade.
  • Matar idéias velhas: Como descrito em reportagem da revista PEGN desse mês, Steve Jobs considerava que mais importante do que ter idéias novas era matar as antigas, renovando ainda mais os paradigmas da empresa. Ganha-se em produtividade ao descartar idéias que não tem a mesma viabilidade e foca-se noutras que gerarão vantagem competitiva.
  • Absolutismo - o Reino é o Rei: Durante muito tempo será difícil dissociar as figuras de Jobs e da Apple, o que valeu à Maçã diversas críticas consistentes sobre a falta de uma política clara de sucessão - aspecto crítico para companhias de capital aberto. Apesar disso, a Apple alcançaria os resultados que alcançou na última década sem a presença associada do seu CEO como por exemplo, nas apresentações do iPad? Mais do que se preocupar com o desgaste inevitável de uma marca em busca de uma nova identidade, é mais relevante ter essa "gordura" acumulada do que não ter conseguido um desempenho tão bom no período indicado. Tenho certeza que os executivos da Apple tiveram muito tempo para aprender e tocarem esse barco.

sábado, 20 de agosto de 2011

Tripla restrição no gerenciamento de projetos

Todos os que lidam com projetos de todas as naturezas, seja na execução, no gerenciamento ou como cliente já lidaram com frustrações que vão desde um prazo que não é cumprido, até algum produto ou serviço que ficou mais caro ou mesmo algum detalhe que ficou esquecido.

É fácil para qualquer leigo intuir que as falhas em qualquer projeto só são reduzidas (o objetivo é zerá-las, mas nem sempre conseguimos) com um bom gerenciamento que envolve grande assertividade dos gestores nas ações de planejamento, de controle e execução.

Um dos princípios que facilita a boa gestão é o da tripla restrição - Custos, Escopo e Tempo. Não por acaso estas são as áreas mais nobres do gerenciamento de projetos. O conceito serve para delinear as intervenções que são feitas após a pactuação inicial, seja através de um termo de compromisso, contrato ou qualquer início formal de projeto.

Ao considerar este triângulo como uma representação das definições de um projeto, os lados (todos iguais a princípio) representam os esforços iniciais definidos no planejamento inicial e com suas medidas contribuem com os atributos de qualidade do projeto. Se durante a execução, alguma das variáveis é alterada substancialmente, as demais fatalmente serão modificadas e a qualidade terá novos padrões - na figura esses padrões são suas medidas, e na prática significam indicadores onde avaliamos a qualidade.

Vários gerentes consideram a importância da tripla restrição no sentido de estabelecer as prioridades necessárias frente a outros interesses conflitantes da organização - é, de certa forma um "escudo" do gestor do projeto contra modificações intempestivas.

Dessa forma, ao controlar as variáveis custo, tempo e escopo, o gerente consegue os insumos mínimos para uma execução planejada, o que não significa negligenciar as demais áreas - Integração, Riscos, Comunicação, Qualidade, Recursos Humanos e Aquisições. O plano de gerenciamento do projeto deve conter contramedidas efetivas para mudanças nessa "trinca" para diminuir os impactos das eventuais mudanças e garantir flexibilidade do projeto - em outra postagem abordaremos a confecção do Plano de Gerenciamento e Mudanças de um Projeto. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Estratégia e delimitação de negócio

Nos cursos e workshops ministrados por nós, apresentamos a seguinte foto para ilustrar o que seja uma delimitação correta de negócio, ou pelo menos do que não se deve fazer...


A delimitação de negócio serve para que as empresas, sobretudo as nascentes não gastem energia em negócios para os quais não estão devidamente preparados. Quanto mais delimitado for o seu negócio, maior o seu foco, crescentes serão suas habilidades nele e maior a qualidade percebida pelos seus clientes.

Mais do que listar um portfólio de produtos ou serviços (ainda que seja essa a intenção, cuidado: você ou sua empresa nunca serão bons em tudo!) delimitar o negócio significa definir uma proposta de valor a ser ofertada ao seu cliente.

Esse valor deve ser percebido e saciar uma expectativa ampliada, mais do que um anúncio publicitário, mas o que chamamos de uma boa experiência de compra, uma atitude que norteia os sinais da organização. Como conseguir isso?

Em primeiro lugar, imagine o que seu cliente quer de fato: um produto ou o benefício desencadeado por ele. Vá além desse benefício, imagine os sentimentos no caso de produtos/serviços voltados a pessoas. Se o seu cliente for uma empresa, a palavra-chave é valor agregado - que tipo de valor ou vantagem este cliente receberá ao adquirir seu produto/serviço? Nesse caso, não podemos deixar de salientar que uma vantagem competitiva só é percebida ao ser mensurada.

Voltando ao primeiro exemplo: é possível delimitar qual o negócio do Pai Ambrósio?

Gestão Estratégica vs. Planejamento Estratégico

O tema Estratégia Corporativa é bastante discutido no dia-a-dia das empresas e creio que com bastante propriedade em alguns casos (não vamos discutir o que é verdade absoluta para corporações e profissionais, cada um acredita naquilo que quer). Apesar disso, nossas empresas desenvolvem ações de planejamento estratégico ou de gestão estratégica.

Denominamos ações de planejamento estratégico à medida que as estratégias são revisadas em uma vez ao ano ou qualquer outra periodicidade definida. A gestão estratégica, por sua vez é uma filosofia, onde os temas estratégicos estão presentes em todas as ações, ou pelo menos deveriam estar. Com isso, podemos compreender que o primeiro tem caráter estático e o segundo atende aos propósitos de respostas ágeis.

Conforme descrito por Henry Mintzberg no livro “Ascensão e queda do Planejamento Estratégico”(2004), o processo estratégico pleno é dinâmico e as estratégias de fato executadas pela organização nem sempre foram deliberadas. Se corresponderem totalmente ao planejamento, não proporcionaram aprendizado; se não forem nada planejadas, indicam falhas clamorosas no controle gerencial

Sob esse ponto de vista, a estratégia de nada adianta se não for flexível. Mais do que um caminho é um princípio, que deve ser desdobrado por todos os processos organizacionais.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Apresentação do Blog

Caros leitores, sejam bem vindos!

Sou Francisco Mendes, diretor da INTEGRAR Soluções Corporativas. Esse blog foi desenvolvido com o intuito de dedicar espaço ao tema da Estratégia Corporativa - foco da nossa atuação no segmento de Consultoria.

Nossos artigos tratarão de posicionamento mercadológico, gestão de projetos, modelagem de processos, planejamento e inteligência competitiva.

Além destes assuntos, escreveremos sobre Gestão de Pessoas, Finanças, Comunicação e outros temas de interesse geral que poderão ser sugeridos por nossos seguidores e colaboradores.

Escolhemos o título do blog como "Estratégia Integrada" por entendermos ser necessário debater diferentes visões para o crescimento das organização nas quais trabalhamos, das quais somos clientes ou interessados. A cena no mundo corporativo sugere abordagens multidisciplinares para enfrentar os diversos desafios - mas sempre alinhados a uma mesma visão, ou seja integrados.

Procuraremos manter uma linguagem simples, evitando o uso de jargões administrativos (e quando não for possível evitá-los, explicando de maneira mais detalhada possível o seu significado).

Obrigado pela visita, voltem sempre e mantenham contato conosco por e-mail ou pelas redes sociais.